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domingo, 4 de janeiro de 2015

1º DE ABRIL DE 1964 - O DIA DA GRANDE MENTIRA

Estive na Universidade Federal de Uberlândia - MG participando do "Projeto Colóquios Radical: Cidade, Cidadania, Rebeldia..." relembrando aquele Golpe de Estado que hoje é conhecido como "ditadura civil-militar de 1964" outrora alcunhado de "Redentora".

Fiquei pensando o quanto a história depende de quem a conta. O filme projetado dirigido por Alípio Freire parece um documentário produzido pelo PDT do Brizola.   aos moldes do 7 de setembro ser denominado DIA DA INDEPENDÊNCIA de Portugal onde o Brasil deixou de ser governado pelo príncipe regente para ser dirigido pelo Imperador que 4 anos depois é coroado Rei de Portugal com o nome de D. Pedro IV cuja alcunha era "O Libertador" e que para mim foi aquele que retardou a REPÚBLICA.

Um professor universitário, após assistir o documentário que declarava claramente que a articulação da revolução  teve forte influência ativa dos Estados Unidos, afirmou que o chamado Golpe Militar nos livrou de sermos uma nação comunista falida e dividida.

Depois não sei aonde li ou ouvi que alguém na USP estava indignado por ouvir algo similar... Fiquei refletindo sobre nosso querido Brasil comemorar a cada ano desde 1822 uma pseudo liberdade onde um príncipe regente deixa de ser príncipe para tornar-se imperador.

Sempre me perguntei duas grandes questões:
1- Quem tem mais poder: um príncipe, um rei ou um imperador?
2- Como o imperador do Brasil D. Pedro I conseguiu continuar com a chamada
"Independência do Brasil de Portugal" no período de 1826 quando também era D.Pedro IV Rei de Portugal e como ficaram as relações de DEPENDÊNCIA DO BRASIL de Portugal comandado por sua filha D. Maria e posteriormente o Brasil comandado por seu filho D. Pedro II?

(Hoje em 31 de março de 2016 creio que D. Pedro e sua corte foram os grandes mestres do PMDB e seus comandantes)
E ainda por cima D. Pedro I foi alcunhado o Libertador! Libertou de quem e quando?

Será que ele não foi aquele que adiou a REPÚBLICA?

No dia 1º de abril de 1964 papai não deixou nenhum de seus 5 filhos irem às aulas. Morávamos fora da cidade e ele ficou temeroso de algum impedimento em nosso ir e vir. Faltar das aulas por comando de meu pai, foi para nós, um fato histórico pois não faltávamos às aulas nem por febre, resfriado, tempestade ou se chovesse canivetes...

No dia seguinte os colegas perguntavam curiosos porque havíamos faltado. Ao responder que houvera uma revolução todos riram e diziam rindo de nós, que tentáramos passar uma grande mentira de primeiro de abril: "Só as Paschoalicks viveram uma revolução!"

(Em 2016 quando escuto "Não vai ter golpe!" quase sempre vem atrás um comentário: "Quando era o Collor era democracia, agora para o PT é golpe!" - E eu me pergunto, quantos anos se passarão para que a história venha ao nosso conhecimento?)

Alguns anos depois do grande livramento que a "Redentora" havia nos dado, obrigando-nos a conviver com uma ditadura que tudo calava e nos impedia de ficarmos batendo papo nas esquinas, nossa casa em Batatais foi assaltada (1967) e a polícia prendeu o ladrão na vizinha cidade de Brodowski (terra de Portinari) mas como não havia denúncia na cidade, embora o ladrão confessara o crime, o delegado soltou-o enquanto na vizinha cidade de Ribeirão Preto, onde minha irmã estudava na USP, uma sua colega, futura médica, morrera pisoteada por um cavalo comandando por um policial militar, que no exercício de suas funções, tentava deter a passeata dos estudantes.

Mamãe, ainda fragilizada pela recente viuvez, escreveu uma crônica comparando os tratamentos dado a um ladrão e a uma universitária ... mas foi advertida para se calar, assim como nós, desde 1964 fôramos advertidas para não mais cantar aquela música paródia que falávamos um monte de marcas americanas que constituíam os produtos que nos eram ofertados e terminávamos dizendo: "Brazil, ame-o ou deixe-o e o último a sair apague a LUX e POX" (duas marcas de sabonete e sabão em pó).

50 anos depois vou a um Evento Filme Debate "1964, um golpe contra o Brasil" e ao fotografar o professor Falcão Vasconcellos, organizador do evento irônicamente saiu na foto uma propaganda da PHILCO ao fundo e bem na hora do pronunciamento do economista Tiago Andrade de Almeida,(ex-militante do MR 8 e ex-preso político) seu telefone chinês toca em seu bolso: coisas deste mundo globalizado.

Espero que não esteja tão globalizado e ainda sejamos um pouco nacionalista para não cairmos no golpe de que "melhor a Petrobrás nas mãos de americanos do que nas mãos de ladrões brasileiros..." sem nem sequer pensarmos que nosso povo tem muita gente honesta e competente para melhor termos a Petrobrás bem administrada por brasileiros.

Será que só daqui a 50 anos conseguiremos realmente saber o que há por trás destes bastidores de intriga aos moldes do regime nazista que até documentário dos lindos, sociáveis e confortáveis campos de concentração onde os judeus felizes compartilhavam risadas e alegrias??? Este é um grande exemplo de mídia manipulada.

E nós que somos educadores precisamos estar atentos à infiltração dos parques gráficos americanos em solo brasileiro. Mas isto é outro capítulo da mesma história.


3 comentários:


  1. Estive a ver e ler algumas coisas, não li muito, porque espero voltar mais algumas vezes, mas deu para ver a sua dedicação e sempre a prendemos ao ler blogs como o seu. Se me der a honra de visitar e ler algumas coisas no Peregrino e servo ficarei radiante, e se desejar deixe o seu parecer. Abraço fraterno. António.
    http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

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  2. Ely, suas lembranças somam-se às minhas: na época jovem professora e jovem senhora.O que vi e vivi só alguns poucos entendem. Não dá para esquecer ou amenizar o que se destruiu. As cicatrizes são para sempre e doem quando ouvimos disparates e percebemos um grau de ignorância histórica que dói.É uma pena que a nossa verdadeira história seja uma desconhecida. Ando " pra baixo", não dá para escrever. Obrigada pelas suas lembranças, um dia escreverei as minhas.

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  3. Ely, suas lembranças vieram somar às minhas, bem diferentes das suas. Na época, eu era professora iniciante que se preparava para constituir família.Muita perseguição, amigos/as desaparecidos, a coerção e a tortura batendo nas portas.Lembro-me bem do queimar os livros, do cuidar das palavras no local de trabalho, dos sussurros, das desconfianças de tal proporção que me recusei a entrar em um núcleo de combate ( covardia! Talvez hoje me aventurasse a me arriscar). Bem, não estou em bom momento. Já fiz minha biografia para a escola de minha neta.Hoje, a falta de conhecimento da verdadeira história nossa (sob o ponto de vista de quem viveu o momento) deixa os jovens surdos.
    Admiro você.

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